Brasil/floresta em pé;

O governo brasileiro ainda não fechou propostas climáticas que deveriam terem sido apresentadas no dia 22/09/09 na reunião de clima da ONU, mas negocia, internamente, uma forma de incluir o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) no mercado de carbono.

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Duas ideias estão em fase de elaboração e deverão ser divulgadas no dia 14 de outubro, quando o governo anunciará a proposta a ser levada a Copenhague, segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Na primeira, o País apresentaria a queda na elevação das emissões de CO2 e demonstraria que uma redução ainda maior poderia ser alcançada se os ricos ajudassem.

A “ajuda” seria na forma de financiamentos de projetos de redução do desmatamento, manejo florestal e de conservação da floresta em pé. O segundo modelo é sugerir aos ricos que apresentem metas adicionais de redução de CO2 a serem atingidas a partir do mecanismo de REDD. Por exemplo: o Japão anunciou recentemente que cortará 25% de suas emissões até 2020. Em cima disso, o Brasil proporia que o país reduzisse 30%, sendo que esses 5% adicionais seriam obtidos com créditos gerados por projetos de REDD.

Mas outros setores do governo que participam da negociação do clima não concordaram com a proposta do MMA. A introdução do mecanismo de REDD no mercado compensatório é problemática, segundo negociadores, porque o Brasil não estaria preparado para garantir que uma quantidade determinada de CO2 está sendo reduzida.

Um dos gargalos é justamente o monitoramento do desmatamento. Até hoje, somente o desmatamento da Amazônia é medido regularmente, através de imagens de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os demais biomas, embora também sofram perdas florestais significativas, não contam com um sistema que apure com precisão o montante que vira fumaça e dióxido de carbono.

O Cerrado, por exemplo, já teve 48% de sua vegetação suprimida. A Caatinga é outro bioma que tem sido rapidamente convertido em carvão vegetal. Para que o Brasil consiga emitir certificados de redução de emissões, precisaria assegurar que não há vazamento de emissões por desmatamento em todo o território nacional, algo que hoje não tem condições de fazer.

Fonte: Jornal O Globo.
Pesquisa/Divulgação: FPN-SP-BR

Planeta X Humanóides

Cientistas estipulam valores máximos para a ação do homem de modo a evitar consequências catastróficas. Em alguns itens, como perda da biodiversidade e mudanças climáticas, os limites já eram (…).
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Identificar e quantificar os limites da Terra que não podem ser transgredidos ajudaria a evitar que as atividades humanas continuem causando mudanças ambientais inaceitáveis. A afirmação, de um grupo internacional de cientistas, está em artigo destacado na edição (24/9) da revista Nature.

Segundo eles, a humanidade deve permanecer dentro dessas fronteiras para os processos essenciais do sistema terrestre se quiser evitar alterações ambientais de dimensões catastróficas. Esses limites representariam os espaços seguros para a ação e para a vida humana.

O conceito de limites (ou fronteiras) planetários representa um novo modelo para medir as agressões ao planeta e define espaços seguros para a existência humana. Seguros tanto para o sistema terrestre como para o próprio homem, por consequência.

Johan Rockström, da Universidade de Estocolmo, na Suécia, e colegas sugerem nove processos sistêmicos principais para esses limites: mudanças climáticas; acidificação dos oceanos; interferência nos ciclos globais de nitrogênio e de fósforo; uso de água potável; alterações no uso do solo; carga de aerossóis atmosféricos; poluição química; e a taxa de perda da biodiversidade, tanto terrestre como marinha.

Para três desses limites da ação humana – ciclo do nitrogênio, perda da biodiversidade e mudanças climáticas –, os autores do artigo argumentam que a fronteira aceitável já foi atravessada. Afirmam também que a humanidade está rapidamente se aproximando dos limites no uso de água, na conversão de florestas e de outros ecossistemas naturais para uso agropecuário, na acidificação oceânica e no ciclo de fósforo.

O estudo dá números para esses limites. Para o ciclo do nitrogênio, por exemplo, antes da Revolução Industrial a quantidade de nitrogênio removido da atmosfera para uso humano era zero. O limite estabelecido pelo estudo é de 35 milhões de toneladas por ano. Parece muito, mas os valores atuais são de 121 milhões, mais de três vezes além do limite aceitável.

A taxa de perda de biodiversidade, calculada em número de espécies extintas por milhão de espécies por ano era de 0,1 a 1 até o início da era industrial. O limite proposto pelo estudo é de 35, mas o valor atual passou de 100.

O consumo de água potável por humanos era de 415 quilômetros cúbicos por ano antes da Revolução Industrial. Hoje, chegou a 2.600, perigosamente próximo ao limite sugerido de 4.000 quilômetros cúbicos por ano.

Os pesquisadores destacam a necessidade de se estabelecer os limites também para a emissão de aerossóis atmosféricos e de poluição química, apesar de não haver, atualmente, dados suficientes para tal definição.

Transgredir uma única dessas fronteiras planetárias por um tempo demasiadamente longo é o suficiente, argumentam, para promover alterações ambientais “abruptas e inaceitáveis que serão muito danosas ou até mesmo catastróficas à sociedade”. Além disso, quando um limite é derrubado, os níveis de segurança dos outros processos acabam sendo seriamente afetados.

“Embora a Terra tenha passado por muitos períodos de alterações ambientais importantes, o ambiente planetário tem se mantido estável pelos últimos 10 mil anos. Esse período de estabilidade – que os geólogos chamam de Holoceno – viu civilizações surgirem, se desenvolverem e florescerem. Mas tal estabilidade pode estar em risco”, descrevem os autores.

“Desde a Revolução Industrial, um novo período surgiu, o Antropoceno, no qual as ações humanas se tornaram o principal condutor das mudanças ambientais globais”, destacam. Segundo os pesquisadores, se não fosse a pressão promovida pelo homem, o Holoceno continuaria ainda por muitos milhares de anos.

O artigo A safe operating space for humanity, de Johan Rockström e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Pesquisa/Divulgação: FPN-SP-BR

Acordo imprescindível

Artigos na The Lancet destacam que o sucesso nas negociações na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas é vital para o futuro da civilização e da espécie humana.
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A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), que será realizada em Copenhague, na Dinamarca, de 7 a 18 de dezembro, deverá definir um novo acordo global para o clima que passará a vigorar com o fim do Protocolo de Kyoto, em 2011.

A importância do encontro é tão grande que não deixou espaço para fracassos. “Tudo ou nada”, dizem uns; “não há plano B”, apontam outros. Um artigo publicado nesta quarta-feira (16/9) na revista The Lancet e no The British Medical Journal vai nessa toada, não economizando nas expectativas.

Segundo os autores, o sucesso em Copenhague é “vital para o futuro da espécie humana e da civilização”. “O fracasso em concordar com reduções radicais nas emissões significa uma catástrofe para a saúde global”, afirmam os autores lorde Michael Jay, diplomata e chairman da comissão de nomeações da Casa dos Lordes, a câmara alta do parlamento britânico, e sir Michael Marmot, professor de epidemiologia e saúde pública na University College London.

Evidências científicas de que as temperaturas no planeta têm se elevado por causa da ação do homem têm sido amplamente aceitas desde o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado em 2007.

A conta que deve ser fechada: se quiser evitar um aumento de 2ºC nas temperaturas médias pré-industriais – considerado limite para um cenário catastrófico e irreversível –, o mundo deverá reduzir, até 2050, as emissões de dióxido de carbono de modo a chegar, no máximo, a 50% dos níveis verificados na década de 1990.

O desafio é extremamente complexo e deve ser de responsabilidade geral. “As mudanças climáticas são globais. Emissões não conhecem fronteiras e as medidas necessárias para diminuí-las devem ser vistas não como um custo, mas sim como uma oportunidade”, afirmam.

“Usinas energéticas a carvão poluem a atmosfera e pioram a saúde humana. O mesmo ocorre com os motores a combustão. O desflorestamento destrói a biodiversidade. Mesmo sem as mudanças climáticas, é forte o argumento para energia limpa, automóveis elétricos, preservação de florestas, eficiência energética e novas tecnologias agrícolas. As mudanças climáticas tornam o argumento irrefutável”, apontam.

De acordo com os autores, o sucesso em Copenhague exigirá o reconhecimento por parte dos países mais ricos de que eles têm obrigações para com os mais pobres. E o reconhecimento por parte das nações mais pobres de que as mudanças climáticas são um problema global que exige uma solução global na qual todos têm um papel a cumprir.

Comentário publicado na mesma edição da The Lancet, escrito por um grupo internacional de pesquisadores, ressalta a importância da conferência em dezembro.

“Há um perigo real de que os políticos se mostrem indecisos, especialmente em um momento de turbulência econômica. Mas, se suas respostas se mostrarem fracas, os resultados para a saúde mundial serão catastróficos”, destacam.

Os artigos Health and climate change e Politicians must heed health effects of climate change podem ser lidos por assinantes da The Lancet em www.thelancet.com.

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Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11071/divulgacao-cientifica/acordo-imprescindivel.htm
Pesquisa/Divulgação: FPN-SP-BR

Alerta para o lodo

As estações de tratamento de esgoto produzem grandes quantidades de lodo como resíduos dos processos ali utilizados. Para que a destinação desse material deixe de ser um problema ambiental de grande escala e se torne uma solução agrícola, uma das alternativas mais promissoras é o uso do lodo de esgoto – rico em matéria orgânica, fósforo e nitrogênio – como adubo de plantas cultivadas.

Mas um novo estudo feito por um grupo da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), mostrou que o uso de lodo de esgoto em uma cultura de milho pode resultar, a médio e longo prazo, em contaminação do solo com hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs).

HPAs são compostos orgânicos hidrofóbicos, não polares, formados por dois ou mais anéis benzênicos e constituídos exclusivamente por átomos de carbono e hidrogênio. As propriedades físico-químicas dos HPAs – como solubilidade em água, peso molecular e pressão de vapor – são, em grande parte, determinadas pelas ligações duplas conjugadas que variam com o número de anéis.

Os HPAs, de acordo com Lourival Costa Paraíba, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente que coordenou o estudo, são compostos químicos geralmente formados a partir da queima incompleta de material orgânico, cuja presença foi observada em amostras de lodos.

“Essas substâncias, poluentes orgânicos de grande persistência no meio ambiente, são nocivas a diversos organismos aquáticos e terrestres. Alguns deles são carcinogênicos ou mutagênicos”, disse Paraíba à Agência FAPESP.

Segundo ele, os resultados do projeto são importantes porque fornecem subsídios e orientação para decisões técnicas e políticas no sentido de cultivar ou não plantas utilizando lodo de esgotos. A pesquisa “Bioconcentração de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) em grãos de milho cultivados em solos com lodo de esgoto” tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

“Embora saibamos que o lodo tem vários nutrientes, ele também possui poluentes. O estudo mostrou que o seu uso deve ser feito com muito critério e muita pesquisa. E, principalmente, que a sociedade precisa saber quando estiver consumindo um produto cultivado com lodo de esgoto”, afirmou.

De acordo com o estudo, os níveis de HPAs encontrados no milho não chegaram a afetar sua segurança para consumo. Mas os níveis encontrados no solo podem comprometê-lo a médio e longo prazo, com o uso contínuo do lodo.

“Além dos HPAs, certos lodos de esgoto podem contaminar cultivos agrícolas, solos, águas superficiais e subterrâneas com nitratos, metais pesados, patógenos, além de outros compostos orgânicos persistentes”, acrescentou Paraíba, que é matemático e ingressou na Embrapa em 1989.

Níveis de hidrocarbonetos

Além de Paraíba, que foi responsável pela modelagem matemática, a equipe de pesquisa contou com outros pesquisadores da área de química, além de pessoal de apoio no laboratório e campo experimental.

“O objetivo foi avaliar a segurança do uso de lodo de esgoto como adubo de plantas cultivadas. Para isso, investigamos a absorção de algumas substâncias orgânicas presentes no lodo por plantas de milho. Pela primeira vez no Brasil observamos os níveis de HPAs em grãos de milho cultivados em áreas com histórico de aplicações de lodo de esgoto”, disse.

Os pesquisadores mediram os níveis de resíduos de 16 diferentes HPAs em amostras de solos e de grãos de milho cultivados na estação experimental da Embrapa Meio Ambiente. A área foi utilizada durante seis anos consecutivos para o cultivo de milho com lodo.

De acordo com Paraíba, o estudo teve dois focos em relação à medição de níveis de HPAs: verificar a presença desses compostos no solo e verificar se eles se deslocam do solo para a planta.

“Os níveis de HPAs nas amostras de solo da estação experimental foram de cerca de 290 microgramas por quilo – considerada baixa contaminação para os padrões internacionais. Pudemos comparar os resultados cuja medição foi feita em solos onde não se utilizou lodo de esgoto, nos quais os níveis estiveram em cerca de 105 microgramas por quilo”, disse.

Segundo Paraíba, modelos matemáticos foram utilizados para indicar se os HPAs têm chance de chegar na parte superior da planta. Para confirmar esses dados e validar o modelo, análises do solo e dos grãos de milho foram realizadas utilizando a técnica de cromatografia gasosa com detector seletivo de massas. Essa parte da pesquisa foi coordenada por Sonia Queiroz, responsável pelo Laboratório de Resíduos e Contaminantes da Embrapa Meio Ambiente.

“Os HPAs detectados em grãos de milho tinham de dois a quatro anéis aromáticos com mediana afinidade a lipídio e baixa solubilidade em água”, disse o pesquisador.

Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11056/especiais/alerta-para-o-lodo.htm
Pesquisa/Divulgação: FPN-SP-BR

Carros terão de se adequar a novos limites máximos de emissões de poluentes

Divulgação
Carros terão de se adequar a novos limites máximos de emissões de poluentes
O prazo de adaptação para veículos a diesel é até 1º de janeiro de 2013 e os movidos a gasolina até 1º de janeiro de 2014

Veículos leves saídos de fábrica terão de se adequar à nova resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que estabelece os limites máximos de emissões de poluentes provenientes dos escapamentos, como o monóxido de carbono, os aldeídos, os hidrocarbonetos totais, os hidrocarbonetos não metano, os óxidos de nitrogênio e o material particulado (enxofre).

A proposta foi aprovada pelo Conselho em reunião ordinária, nesta quarta-feira (2/9), aberta pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele ressaltou que a aprovação pelo Conama de novos limites de emissões de poluentes para os veículos é de extrema importância para o meio ambiente brasileiro.

A determinação faz parte da Fase L-6 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). Para os veículos movidos a diesel, o prazo de adaptação estabelecido pela resolução é de até 1º de janeiro de 2013. Os carros movidos a gasolina terão o prazo máximo de até 1º de janeiro de 2014.

De acordo com Rudolf Noronha, gerente de Qualidade do Ar do MMA, a determinação contida na resolução do Conama vai reduzir de maneira expressiva os poluentes emitidos pelos veículos. “Esta medida, somada à inspeção veicular, vai trazer uma melhoria significativa à qualidade do ar das cidades”, disse. Ele garantiu que o Brasil vai alcançar padrões equivalentes ao que há de mais moderno no mundo em termos de iniciativas para melhoria da qualidade do ar.

Comissão de acompanhamento – O Conselho também aprovou proposta que reestrutura a Comissão de Acompanhamento e Avaliação do Proconve. O gerente de Qualidade do Ar, Rudolf Noronha, está convicto de que a Comissão, que vai funcionar com nova composição, terá força política para evitar o descumprimento das normas relacionadas ao Proconve, como ocorreu nas fases anteriores do programa.

Fonte: http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.noticiaMMA&idEstrutura=8&codigo=5083

Pesquisa: FPN-SP-BR

Grupo defende manipular a Terra contra aquecimento

da Folha de S.Paulo

A viabilidade de estratégias artificiais para resfriar o planeta ainda está longe de ser bem conhecida, mas a ciência não deve abandonar de todo esses recursos no combate ao aquecimento global, diz a maior associação acadêmica da Europa. Em um relatório publicado ontem, a Royal Society pediu ao governo britânico para bancar um programa de 10 bilhões anuais a fim de resolver dúvidas sobre o uso de técnicas da chamada geoengenharia.

O termo se refere à manipulação da atmosfera e da superfície da Terra para contrabalançar as emissões de gases do efeito estufa. São propostas como o lançamento maciço de aerossol na estratosfera terrestre para refletir o calor solar para o espaço antes que ele chegue aqui em baixo. Ou pintar de branco todos os telhados e ruas do mundo para evitar que o planeta absorva muito calor.

Abarcando algumas ideias mais mirabolantes que outras, a geoengenharia é considerada um delírio tecnológico por muitos cientistas. Não sem razão. Nenhuma proposta do tipo, por enquanto, é tão viável quanto a negociação de um acordo global para cortar as emissões de CO2 -solução tecnicamente simples, ainda que politicamente complexa.

Uma coisa não exclui a outra, porém, afirma o relatório da Royal Society, produzido por uma equipe de mais de 20 cientistas de ponta liderados por John Shepherd, da Universidade de Southampton.

“Há um sério risco de as ações de mitigação não serem introduzidas suficientemente e em tempo”, diz o relatório. “A menos que os esforços futuros para reduzir emissões de gases-estufa sejam muito mais bem sucedidos do que aqueles feitos até agora, ações adicionais poderão ser necessárias para resfriar a Terra neste século.”

O grupo da Royal Society, porém, reconhece que as ideias para tal ainda são cruas.

“A geoengenharia do clima terrestre muito provavelmente é tecnicamente possível”, continua o documento. “Contudo, a tecnologia para isso mal se formou, e há grandes incerteza a respeito de eficácia, custo e impactos ambientais.”

O relatório divide as ideias vigentes em dois grupos. O primeiro consiste em técnicas para sequestrar CO2 do ar, potencializando os cortes de emissões. O segundo grupo engloba estratégias para reduzir a absorção de radiação solar.

Se a geoengenharia for necessária um dia, diz o documento, as técnicas do primeiro grupo são preferíveis, porque também ajudam a combater a acidificação dos oceanos, outro efeito nocivo do CO2. Elas seriam uma gambiarra meteorológica que não afetaria tanto o sistema climático da Terra.

As técnicas do segundo grupo, porém, têm o potencial de provocar um resfriamento mais rápido da Terra, e numa situação de emergência global, poderiam ser adotadas por períodos curtos de tempo.

Muitas propostas de uso da geoengenharia, porém, também precisariam de acordos internacionais para serem adotadas, e a Royal Society diz que fatores políticos devem ser considerados nos estudos.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u618524.shtml

Divulgação: FPN-SP-BR

“técnica para transformar em biodiesel …”

Pesquisadores da USP desenvolveram uma técnica para transformar em biodiesel óleos vegetais já danificados pelo processo de fritura e a borra de soja, um resíduo da indústria de óleo alimentício. A técnica reduz o tempo da reação química de 24 horas para 30 minutos e barateia o processo. O segredo foi usar um catalisador diferente na reação, feito com os metais Cobre e Vanádio.

Para produzir biodiesel é necessário que haja a reação do óleo vegetal puro com alcool. “Mas a reação só acontece se houver um catalisador no recipiente. Essa substância é o cupido que junta o óleo com álcool e transforma-o em biodiesel e glicerina”, compara Miguel Dabdoub, químico e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) em cujo laboratório a técnica foi desenvolvida. “Depois da reação, é possível recuperar o catalisador”

Contudo, o catalisador utilizado comumente no Brasil é a soda cáustica, que não funciona muito bem para transformar óleos de fritura, óleos não-refinados em biodiesel. Esses tipos de óleo contém diferentes percentuais de ácidos graxos, que reagem com a soda e viram sabão. A outra porcentagem vira biodiesel. A borra de soja é o ácido graxo extraído de óleos vegetais e por isso também não pode ser transformada em biodiesel. A
reação comum demora um dia inteiro para acontecer.
“Sabão não se utiliza em ônibus e caminhões”, destaca Dabdoub.”Imagine uma fábrica média, que produza cerca de 100 milhões de litros de biodiesel por ano, com óleo residual de cozinha com 7% de ácidos graxos. Há uma perda de cerca de 7 milhões de litros, que viram sabão. Como o governo paga cerca de R$ 2,30 por litro de biodiesel atualmente, essa empresa teria R$ 16 milhões jogados fora todo ano. Esse dinheiro é suficiente para pagar a mudança de tecnologia”.

Os pesquisadores do Laboratório de Tecnologias Limpas (LADETEL), chefiados por Dabdoub, passaram dois anos tentando descobrir uma maneira de tornar esse processo mais barato, eficiente e rápido. Eles fizeram dezenas de reações no laboratório para descobrir os catalisadores, pressão, temperatura, proporções dos reagentes e concentração de álcool ideais para que a reação acontecesse.

A conclusão veio no início de 2008: a melhor maneira de produzir biodiesel a partir de óleo jogado fora é com um catalisador feito com os metais Vanádio e Cobre. “Ele não se dissolve no óleo e por isso pode ser recuperado facilmente no final da reação”, explica Márcia Rampim, uma das pesquisadoras envolvidas no projeto . A nova reação também é muito eficiente. “Com 1 litro de óleo de cozinha, produzimos 1 litro de biodiesel e 100 ml de glicerina”. Limpo e barato “No Brasil consome-se cerca de 19 litros per capita de óleo por ano, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal(ABIOVE)”, calcula Dabdoub.”Se considerarmos que 12 litros desse óleo não sejam absorvidos pelos alimentos, que é uma estimativa muito conservadora, são cerca de 7 litros de óleo por pessoa sendo jogados pela pia, indo pelo esgoto, impermeabilizando leitos de rios e contaminando lençóis freáticos e fontes de água, todo ano. Esse óleo e os resíduos da indústria de soja poderiam ser coletados e transformados em biodiesel. Muitas indústrias de alto porte poderiam ser movimentadas no Brasil somente com base no óleo residual. Diminuiríamos o uso de combustíveis derivados de petróleo e carvão mineral, que causam o efeito estufa”.

Também ficaria mais barato produzir biodiesel, por que as industrias economizariam na matéria-prima. “Em vez de pagar cerca de R$ 2.080 por tonelada de óleo vegetal refinado, que é o preço dado pelas comercializadoras, poderei pagar cerca de R$ 550,00 por tonelada de óleo residual, que é o custo da coleta”, garante o professor. “E as indústrias ainda poderiam economizar com os custos de remoção da borra de soja. Em
2007, segundo a ABIOVE, a indústria produziu 300 milhões de litros de borra de soja. Uma parte mínima é aproveitada.”

Link.: http://www.carbonobrasil.com/?item=73&id=722771
Autor/Colaborador:Nilbberth Silva
Pesq/Divulgação: FPN-SP-BR

Gasolina verde

…revista Science enfoca um assunto destacado (…) pela Agência FAPESP: a “gasolina verde”.

O autor é John Regalbuto, diretor do Programa de Catálise e Biocatálise da National Science Foundation (NSF), que participou esta semana do workshop “Tecnologias em biocombustíveis e suas implicações no uso da água e da terra”, realizado em Atibaia (SP) pela FAPESP no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com apoio da National Science Foundation, dos Estados Unidos, e do Ministério de Ciência e Tecnologia da Argentina.

“O etanol é visto pela maioria das pessoas como o único biocombustível líquido (…), entretanto, em apenas alguns anos, a produção em escala comercial de hidrocarbonetos líquidos a partir da biomassa será possível”, destacou.

O processo de produção da “gasolina verde” consiste em submeter uma pasta aquosa de açúcares e carboidratos vegetais a materiais catalisadores, que aceleram as reações sem se desgastar no processo. Com isso, as moléculas ricas em carbono da biomassa se separam em componentes que se recombinam para formar os mesmos compostos químicos que são obtidos do processamento do petróleo.

O artigo explica as principais diferenças entre o etanol e a “gasolina verde” e os mais recentes avanços científicos e tecnológicos que estão levando a métodos mais eficientes de obtenção de combustíveis a partir de açúcares de plantas, processos que envolvem enzimas, microrganismos ou calor.

A principal diferença da produção da “gasolina verde” em relação à do etanol, segundo Regalbuto, é que este último é fermentado a partir de plantas em um processo que utiliza enzimas para desencadear as reações, enquanto a primeira utiliza catalisadores.

Esses catalisadores transformam os açúcares presentes na planta em hidrocarbonetos. Se o uso de enzimas permite um processo mais seletivo, dirigido a um tipo especifico de moléculas, os catalisadores, por outro lado, podem operar em altas temperaturas que normalmente destruiriam as enzimas. Isso permite que as reações sejam milhares de vezes mais velozes.

“A produção de hidrocarbonetos a partir de plantas acaba sendo mais eficiente que a de etanol, porque este último exige uma destilação que requer grandes quantidades de energia, enquanto os hidrocarbonetos se separam automaticamente da água”, disse à Agência FAPESP.

O artigo Cellulosic biofuels: got gasoline?”, de John Regalbuto, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/10917/divulgacao-cientifica/science-destaca-gasolina-verde.htm
Pesquisa: FPN-SP-BR

‘Verdades’/”Equação ambiental”

Diminuir as emissões dos gases de efeito estufa (GEE) que causam o aquecimento global é uma das principais razões para o atual esforço internacional que visa à substituição dos combustíveis fósseis por fontes de energia limpa, como o etanol da cana-de-açúcar. Mas os fertilizantes necessários para a produção do biocombustível podem ter um papel na própria emissão de GEE.

Esse papel do uso de fertilizantes nas emissões precisará ser cuidadosamente estudado para que seja possível compreender o balanço ambiental da cultura canavieira, de acordo com Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), em Campinas (SP), e especialista em fertilidade do solo e adubação.

Cantarella participou, na terça-feira (11/8), do workshop Tecnologias em biocombustíveis e suas implicações no uso da água e da terra, que está sendo realizado em Atibaia (SP) até o dia 12 de agosto. O evento é promovido pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Biotecnologia para o Bioetanol.

Segundo Cantarella, que é um dos coordenadores do BIOEN, o nitrogênio contido nos fertilizantes utilizados na lavoura de cana-de-açúcar tem papel significativo em relação aos GEE.

“Quando usamos a cana-de-açúcar para produzir biocombustível temos que avaliar o impacto dessa cultura no balanço de GEE. O nitrogênio entra nessa equação porque ao penetrar no solo, por meio de reações microbiológicas, ele provoca a liberação de pequenas quantidades de óxido nitroso, um importante GEE”, disse Cantarella à Agência FAPESP.

A intensidade do efeito estufa provocado por cada molécula de óxido nitroso é quase 300 vezes maior do que aquele causado por uma molécula de dióxido de carbono, segundo Cantarella. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que cerca de 1% do fertilizante nitrogenado utilizado em plantações acaba sendo enviado à atmosfera na forma de óxido nitroso.

“Mas é importante observar que os números do IPCC são gerais. Existem poucas avaliações sobre a produção do óxido nitroso aplicado à cultura de cana-de-açúcar. É preciso medir, nas condições de produção da cana, qual é a real contribuição da adubação nitrogenada”, disse.

De acordo com ele, no caso da cana-de-açúcar, o fato de a adubação nitrogenada ser feita em época relativamente seca cria condições teoricamente pouco favoráveis para a produção de óxido nitroso no solo. Mas a falta de estudos impede uma avaliação precisa. “Esse número precisa ser avaliado na prática”, afirmou.

A cultura canavieira continua se expandindo em São Paulo e essa tendência deverá prosseguir. “Apesar da expansão, do ponto de vista ambiental o problema da emissão de óxido nitroso não é tão grande. Por outro lado, ele adquire uma importância crucial quando fazemos um balanço ambiental de uma cultura que tem a mitigação das emissões de GEE entre seus objetivos”, disse.

O uso de fertilizantes na cultura de cana-de-açúcar, de acordo com o também presidente do Conselho Curador da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola, é, em geral, bastante eficiente. Com a mesma quantidade de adubo utilizada em outras culturas, a cana tem uma produção muito maior de biomassa.

“Ainda assim, a cultura de cana-de-açúcar, por sua extensão, responde por uma parcela de 13% a 17% de todo o fertilizante utilizado na agricultura brasileira”, afirmou.

Novos desafios

O principal obstáculo à eficiência das práticas de adubação na cultura canavieira no estado diz respeito a mudanças tecnológicas recentes. “Com o aumento das áreas com colheita mecanizada, temos uma grande quantidade de palha na superfície do solo. Isso dificulta a incorporação de fertilizantes, que muitas vezes são deixados expostos. E um dos principais fertilizantes nitrogenados usados nessa cultura, a ureia, está sujeito a grandes perdas por volatilização”, explicou Cantarella.

Uma das soluções possíveis para o problema, segundo ele, seria o uso de outra fonte diferente da ureia. “Mas esse tipo de alternativa é mais cara e menos abundante”, disse.

Outras soluções viáveis seriam a incorporação mecânica, ou uso de aditivos que reduzissem perdas. “Não temos ainda uma solução prática e econômica bem estabelecida. É um desafio que temos que resolver”, afirmou.

Outro tema que necessita mais estudos, aponta, é o papel de determinadas bactérias associadas à cultura da cana na fixação de nitrogênio da atmosfera. Essa alternativa de fixação biológica do nitrogênio poderia reduzir a necessidade de fertilizantes – o que teria grandes impactos ambientais e econômicos.

“Mas a magnitude dessa fixação ainda não está bem estabelecida. Os números da literatura são bastante variáveis. Nosso desafio é estabelecer essa contribuição e descobrir se podemos melhorá-la – seja com a inoculação de microrganismos mais eficientes ou pela seleção de variedades de cana-de-açúcar que respondam melhor ao processo”, disse.

Transcrito de: http://www.agencia.fapesp.br/materia/10901/entrevistas/equacao-ambiental.htm
Pesquisa: FPN-SP-BR

Efeito estufa/Iniciativa EUA

Lei de mudança climática americana cria rota de colisão com países pobres ao impor “tarifa de carbono” no comércio internacional.

Sergio Besserman Vianna, professor de Economia da PUC-RJ e ex-presidente do IBGE (1999-2003), Guida Piani e Pedro Miranda, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, escrevem para a “Folha de SP”:

No final de junho passado, a Câmara dos Representantes do Congresso americano aprovou um projeto de lei que estabelece regras relativas ao clima e ao uso de energia nos Estados Unidos -o Ato de Energia Limpa e Segurança de 2009.

Entre outras providências, o ato inclui uma agenda extensa e detalhada visando à redução dos gases de efeito estufa (GEE), baseada em um sistema de controle (“cap”) desses gases e de comercialização (“trade”) de licenças que põem um preço na emissão de carbono.

Sob o regime de “cap and trade”, as empresas americanas terão uma licença -que poderão comprar ou vender- para cada tonelada de GEE emitida.

Para algumas firmas, será mais fácil e barato reduzir suas emissões a níveis mais baixos do que os requeridos. Estas firmas poderão, então, vender licenças não utilizadas a outras que se defrontem com maiores dificuldades de se enquadrarem dentro de seus limites.

Esse mecanismo garantirá uma redução do nível total de GEE emitidos nos EUA, o qual, por sua vez, deverá decrescer ao longo dos anos, até que seja atingida uma meta final. Esse objetivo último é reduzir, até o ano 2050, o nível de emissão de dióxido de carbono dos EUA em 83% em relação aos níveis verificados em 2005.

Embora aprovada por uma margem de votos apertada, a passagem pela Câmara representa importante vitória do presidente Barack Obama. Após sua provável aprovação pelo Senado, a lei irá estabelecer, pela primeira vez nos EUA, um limite obrigatório à emissão dos gases associados ao aquecimento global.

Surpresa

No entanto, a Câmara incluiu no projeto uma cláusula que exige que, a partir de 2020, seja imposto um “ajuste na fronteira” -uma tarifa- sobre bens originários de outros países que não estejam tomando providências a respeito de suas emissões de gases ligadas ao aquecimento global.

Duas condições livrariam os países da taxação extra: se os GEE ou a intensidade de energia do setor exportador forem iguais ou menores do que os níveis mais baixos de seus competidores americanos ou se 85% das importações americanas do produto vierem de países com compromissos reais de redução de emissões, considerados aceitáveis pelos EUA em um acordo internacional.

A possibilidade de aplicação de um “ajuste na fronteira” impediria que os consumidores americanos tivessem um incentivo de comprar, preferencialmente, produtos de outros países cujas indústrias estivessem desoneradas dos custos de reduzir suas emissões.

De forma análoga, inibiria a transferência de parques produtivos dos EUA para países nessas condições. Tais “vazamentos” reduziriam a eficiência do esforço para a redução das emissões globais. A implementação de medidas como esta alimenta o debate a respeito da inevitável convergência -ou colisão- entre as agendas de negociação para um novo acordo sobre mudanças climáticas e na Organização Mundial do Comércio.

A primeira questão colocada é: quais seriam os principais países atingidos pela imposição de uma tarifa ao carbono? Sem dúvida, os países em desenvolvimento -muitos dos quais, como o Brasil, ainda não fixaram metas próprias para limitar suas emissões.

O mais importante dos gases-estufa é o dióxido de carbono (CO2). Considerando apenas as emissões da queima de combustíveis fósseis, em 2006 a China já liderava o ranking dos maiores emissores do mundo.

Por outro lado, os países em desenvolvimento argumentam que deveria ser levado em conta o princípio da responsabilidade histórica, estabelecido na Eco-92. O que aquece o planeta é o estoque de carbono na atmosfera, formado principalmente pelas emissões dos países desenvolvidos a partir da Revolução Industrial. Por isso, no Protocolo de Kyoto, os países em desenvolvimento ficaram isentos de metas de corte.

Caso seja obtido um acordo global em Copenhague, em dezembro, a segunda condição da cláusula de “ajuste na fronteira” isentaria os signatários. Seria, sem dúvida, um poderoso instrumento de pressão para que todos os países aderissem ao resultado final das negociações, reforçado pela provável disposição da União Europeia de tomar medidas análogas.

Se o acordo multilateral fracassar, haverá o risco de adoção de fortes medidas comerciais unilaterais discriminatórias.

Esse cenário atingiria de forma bastante desfavorável os países em desenvolvimento, onde se concentra grande parte das indústrias intensivas em energia, como a siderúrgica, a do alumínio e a de papel.

O projeto de lei americano deverá sofrer modificações no Senado. Não obstante, considerando o “cap and trade” e suas implicações para os países em desenvolvimento, uma reação passiva por parte desses ficou mais difícil nas negociações sobre a mudança climática.

Os desdobramentos das negociações para a liberalização do comércio mundial e para o enfrentamento da mudança climática estão convergindo. Se houver avanços na governança global e na coordenação dos processos, o resultado poderá ser sinérgico. Caso contrário, a colisão será inevitável.
(Folha de SP, 2/8)”

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65132
Pesquisa e divulgação: FPN-SP-BR

Primeiro passo/Urgente …

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O Painel Internacional de Especialistas em Megacidades, Vulnerabilidade e Mudança Climática Global, encerrado na última quarta-feira (22/7), resultou em uma avaliação preliminar que servirá para traçar, pela primeira vez, um mapa qualitativo das vulnerabilidades da Região Metropolitana de São Paulo frente aos efeitos do aquecimento global.

De acordo com um dos coordenadores do painel, o climatologista Carlos Afonso Nobre – do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) –, os resultados obtidos serão apresentados dentro de três meses e fornecerão elementos para um primeiro esboço dos mapas, que serão concluídos em 2010 com o objetivo de subsidiar políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas.

Liderado pelo Inpe e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o painel foi realizado na semana anterior no Rio de Janeiro. O objetivo, segundo Nobre, era mapear as principais vulnerabilidades nas duas maiores capitais brasileiras.

Segundo Nobre, uma das conclusões do painel é que mudanças climáticas deverão exacerbar as vulnerabilidades já existentes na Região Metropolitana de São Paulo, como aquelas relacionadas à chuva intensa, que gera inundações, congestionamentos, deslizamentos em encostas, enchentes, acidentes e doenças.

“As projeções são de episódios de chuvas de maior intensidade, ainda que o volume de chuvas não deva aumentar ao longo do ano. Teremos que nos preparar para um aumento dos problemas que já enfrentamos hoje com as chuvas de verão. Toda a cidade será afetada, mas nas favelas isso será mais dramático”, disse Nobre à Agência FAPESP.

Ainda que o volume de chuva não vá ser muito alterado ao longo do ano, segundo Nobre, haverá mais veranicos e períodos de seca mais intensa, que terão impacto sobre o abastecimento de água da Grande São Paulo.

“Essa questão já é preocupante hoje e, no futuro, o planejamento do abastecimento de água terá que levar em consideração que as secas poderão ser mais intensas que as do presente, com uma população maior e, talvez, menos pobre, tendendo a consumir mais água”, declarou.

O painel concluiu também que, como acontece na maior parte das regiões do planeta, as populações mais pobres são mais vulneráveis aos fatores ambientais tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo. Outro padrão geral em todo o mundo – a relação entre vulnerabilidade e gênero – também foi observado nas duas metrópoles brasileiras.

“Nas grandes cidades dos países em desenvolvimento as populações mais pobres são as que estão em áreas de risco. No entanto, há também uma vulnerabilidade considerável da população de baixa renda que está fora dessas áreas. Como também era de se esperar, observamos que as mulheres são mais vulneráveis que os homens”, disse Nobre.

As ondas de calor deverão aumentar a demanda dos serviços de saúde, o que afetará em especial os idosos, segundo Nobre. “A exacerbação desse fenômeno também aumentará a demanda de infraestrutura, já que as pessoas deverão passar a usar cada vez mais o ar condicionado”, disse.

A diminuição das chuvas e da umidade relativa do ar durante o inverno deverá criar condições de inversão térmica em um nível crítico, segundo o cientista. Por outro lado, a insolação mais intensa aumentará as reações fotoquímicas com os poluentes dispersos na atmosfera.

“Se não houver uma redução das emissões de precursores de poluição, vamos ter episódios mais agudos de poluição do ar. Esses episódios aumentarão certamente o número de mortes relacionadas à poluição, que ocorrem em número não desprezível em São Paulo”, afirmou Nobre.

Possíveis adaptações

O diagnóstico preliminar feito pelo painel, segundo Nobre, será aperfeiçoado nos próximos meses e os cientistas procurarão identificar as áreas geográficas específicas onde algumas das vulnerabilidades poderão se manifestar de forma mais acentuadas.

“Para cada um desses fatores o painel de especialistas procurou elencar quais seriam as respostas possíveis em termos de ações de políticas públicas – o que chamamos de adaptação”, explicou.

O pesquisador afirmou que, no caso da poluição, por exemplo, a adaptação possível deverá passar pela redução drástica das emissões de poluentes. “Se o clima mudar como estamos prevendo, não se pode fazer muita coisa para diminuir a temperatura, ou aumentar a umidade. Mas podemos reduzir de forma dramática as emissões dos precursores de poluição – que, no caso de São Paulo, correspondem especialmente às emissões veiculares”, disse.

A diminuição das emissões veiculares, segundo ele, pode ser feita com combustíveis mais adequados, carros mais eficientes e o incentivo aos transportes de massa, com restrições ao número de automóveis. “São soluções já discutidas hoje, mas que se tornarão imprescindíveis”, declarou.

Em relação às ondas de calor, a adaptação mais plausível, segundo Nobre, seria a arborização. “Trata-se de uma prática que São Paulo perdeu com o tempo. Temos menos de 1% de área verde no centro da cidade. A arborização é uma medida muito simples e benéfica, mas que demanda uma mudança cultural importante”, declarou.

De acordo com Nobre, a cidade de São Paulo já é uma das mais impermeabilizadas do mundo, o que irá favorecer as enchentes e inundações. Esse problema, segundo ele, também admite adaptações. “Já há códigos de construção que tentam diminuir a impermeabilização. Isso se tornará ainda mais importante no futuro. Essa seria uma medida concreta de adaptação”, afirmou ele.

Quanto às populações pobres, será preciso especialmente impedir que elas se instalem em áreas de risco e, aos poucos, remover as famílias que já estão nessas áreas, segundo Nobre. “Outra medida, sem dúvida, é o desenvolvimento social, com a eliminação da pobreza”, afirmou.

Os cálculos de abastecimento de energia, de acordo com o diagnóstico dos cientistas, deverão de agora em diante levar em consideração não mais apenas o aumento da população e do consumo per capita, mas também as mudanças climáticas.

“Outro ponto importante é a questão da migração. Como as secas do semi-árido do Nordeste serão mais intensas nas próximas décadas, deverá haver grande número de refugiados. Grande parte dessas populações tem vínculos de parentesco em São Paulo, o que deverá gerar um intenso fluxo migratório, decorrente da intensificação da seca, para o qual São Paulo precisará estar preparada”, afirmou.

Diferenças entre SP e RJ

Segundo o cientista, há diferenças marcantes entre as vulnerabilidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. “A mais evidente é que São Paulo não está sujeita ao risco do aumento do nível do mar. As duas cidades têm muitas favelas, mas a capital fluminense tem um problema maior: cerca de um milhão de pessoas em favelas localizadas em baixadas – áreas sujeitas a inundações dos rios e do mar. São Paulo também tem favelas sujeitas a inundações, mas em número muito menor”, disse.

A poluição do ar, segundo Nobre, é um problema bem menor no Rio de Janeiro. “Os ventos, a circulação e a brisa marítima fazem com que não seja um problema agudo. E não é um problema de inverno”, disse. A capital fluminense tem muito mais vegetação que São Paulo, segundo ele. “São Paulo não tem mais áreas verdes consideráveis, exceto as áreas de mananciais da Serra da Cantareira e da represa Billings, na região metropolitana”, disse.

A questão da saúde e da poluição é muito mais aguda em São Paulo, segundo ele. As duas cidades têm vulnerabilidade de deslizamento de encostas. As vulnerabilidades de abastecimento de água e seca, além de ondas de calor, são maiores em São Paulo.

“O Rio de Janeiro é mais quente, mas o que faz a vulnerabilidade em relação à temperatura é a diferença em relação ao que se está acostumado – isto é, quando ocorre um aquecimento que sai da faixa do conforto térmico da pessoa. Por isso as ondas de calor poderão causar mais mortes em São Paulo”, explicou.

Pesquisa e divulgação: FPN-SP-BR
Fonte:http://www.agencia.fapesp.br/materia/10811/especiais/primeiro-esboco.htm

Frigoríficos terão que cumprir medidas socioambientais para ter acesso a crédito

Bruno Calixto

O Banco Nacional de desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou uma série de medidas para que os financiamentos do banco em atividades agropecuárias não contribuam para o desmatamento da Amazônia e degradação ambiental.

Entre as principais medidas anunciadas está a adesão ao sistema de rastreabilidade do gado. Os frigoríficos serão obrigados aderir ao sistema de rastreabilidade da cadeia produtiva de bovinos, a partir de 2010, para ter acesso aos financiamentos do banco.

Ao adquirir gado rastreado, os frigoríficos poderão se certificar de que não adquiriram produtos oriundos áreas embargadas ou com incidência de trabalho escravo.
Além disso, outras condições para o financiamento do BNDES são criação de planos socioambientais para os frigoríficos, a verificação da regularidade socioambiental dos fornecedores e a realização de auditorias externas para avaliar a atuação socioambiental das empresas.

O banco também irá cobrar dos frigoríficos certificações socioambientais e de qualidade, como as certificações ISO 14.000 (gestão ambiental), SA 8.000 e NBR 16001 (responsabilidade social) e OHSAS 18000 (saúde e segurança do trabalho).
Ontem (21), o presidente do BNDES Luciano Coutinho se reuniu com entidades ambientalistas para discutir a eficácia das medidas. Nessa reunião, Coutinho disse que o banco deveria ser “um vetor de transformação na área ambiental”. O presidente do BNDES ressaltou que a criação da nova área ambiental do banco terá departamentos técnicos com profissionais de formação na área ambiental, e que essa criação representa um processo de amadurecimento das ações do banco.

As ONGs que participaram da reunião – Greenpeace, Instituto Socioambiental (ISA), IBASE, The Nature Conservancy (TNC), WWF, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e Amigos da Terra-Amazônia Brasileira – foram unânimes ao colocar a importância do setor financeiro em direcionar positivamente as mudanças na sociedade, mas defenderam que não é somente o “desmatamento legal” que deve ser atingido e sim o desmatamento zero. “Em geral, o encontro foi saudável no sentido de evidenciar uma preocupação por parte do banco e, particularmente, do Luciano Coutinho, em ouvir as entidades da sociedade civil para afinar o discurso ao anunciar medidas afetando o setor da pecuária e os frigoríficos na Amazônia”, explica Peter May, diretor-adjunto da organização Amigos da Terra – Amazônia Brasileira.

As medidas são uma resposta aos recentes relatórios lançados pelas entidades da sociedade civil sobre pecuária na Amazônia, como “A farra do boi na Amazônia”, do Greenpeace, e “A Hora da Conta”, da Amigos da Terra. O estudo “A hora da conta” mostrou que a pecuária é grande responsável pelo desmatamento na Amazônia e que o BNDES financiou essa atividade com mais de R$ 34 bilhões nos últimos 16 meses.

Divulgação e pesquisa: FPN-SP-BR / Fonte:http://www.amazonia.org.br

Desenvolvimento sustentável/Avanços

Bruxelas, 24 de Julho de 2009

Comissão faz balanço dos progressos no desenvolvimento sustentável

Nos últimos anos, a União Europeia integrou a temática do desenvolvimento sustentável numa ampla gama das suas políticas. Assumiu, nomeadamente, a liderança no combate às alterações climáticas e na promoção de uma economia hipocarbónica, ou seja, com baixas emissões de carbono.

Entretanto, persistem tendências insustentáveis em diversos domínios e há que intensificar os esforços. Três anos após a aplicação da Estratégia da União Europeia em matéria de desenvolvimento sustentável, a Comissão fez o ponto da situação a nível da UE e lançou uma reflexão sobre a evolução da Estratégia.

Nas palavras de José Manuel Durão Barroso, Presidente da Comissão:

«Alcançámos sólidos progressos na integração do desenvolvimento sustentável nas políticas comunitárias. O presente reexame realça os progressos dos últimos três anos e os domínios que requerem atenção acrescida. A crise económica proporciona uma oportunidade única para criarmos uma nova economia sustentável, através de um crescimento ecológico inteligente. É minha esperança que este reexame estimule a reflexão sobre a melhor via para o progresso em domínios como o consumo de energia no sector dos transportes, o declínio da biodiversidade e a degradação do nosso ecossistema.» O reexame confirma progressos positivos em todos os sete domínios prioritários abrangidos pela estratégia. São exemplos o pacote comunitário sobre clima e energia, de Dezembro de 2008, as acções relativas aos «transportes verdes» e aos sistemas de transporte mais inteligentes, a melhoria na eficiência energética dos edifícios, as revisões das directivas relativas à concepção ecológica e ao rótulo ecológico, o lançamento de uma política marítima integrada e da estratégia comunitária para a saúde, os trabalhos no domínio da migração e o combate à pobreza e à exclusão. Houve também progressos nos domínios transversais de educação, investigação e financiamento. Persistem, todavia, tendências insustentáveis em diversos domínios. Por exemplo, a procura de recursos naturais e o consumo de energia nos transportes continuam a aumentar e a biodiversidade está em declínio. A actual crise económica e financeira veio revelar que a sustentabilidade é igualmente um factor essencial dos nossos sistemas financeiros e da economia em geral. As medidas destinadas a apoiar a economia real e a reduzir o impacto social da actual crise devem ser compatíveis com os objectivos de sustentabilidade a longo prazo e com uma estratégia de crescimento ecológico inteligente. O reexame convida a uma reflexão sobre a possível evolução da Estratégia da União Europeia em matéria de desenvolvimento sustentável. Maior alinhamento com a Estratégia de Lisboa para o crescimento e o emprego e com outras estratégias comunitárias transversais, maior racionalização da Estratégia e melhores monitorização e coordenação – são exemplos de pontos a ter em conta. O relatório hoje adoptado permitirá ao Conselho Europeu reanalisar prioridades e dar orientações para o futuro da Estratégia, na sua próxima sessão, em Dezembro. O relatório será complementado pelo relatório bianual de acompanhamento do desenvolvimento sustentável, do Eurostat, a publicar ainda em 2009.

Antecedentes a estratégia renovada da UE para o desenvolvimento sustentável, adoptada em Junho de 2006, incide em sete desafios principais: alterações climáticas e energia limpa; transportes sustentáveis; consumo e produção sustentáveis; conservação e gestão dos recursos naturais; saúde pública; inclusão social, demografia e fluxos migratórios; pobreza no mundo.

O Conselho Europeu de Dezembro de 2007 pediu à Comissão um segundo relatório intercalar sobre a Estratégia Europeia em matéria de desenvolvimento sustentável até Junho de 2009. O presente reexame responde a esse pedido do Conselho Europeu.

O relatório pode ser consultado em: http://ec.europa.eu/sustainable/welcome/index_en.htm

Pesquisa e divulgação: FPN-SP-BR

Economia X Ecologia/Até quando?

“Comércio – conquista, pirataria, saque, exploração – essas as formas, portanto, pelas quais o capital necessário para iniciar a produção capitalista foi reunido” – (Huberman, 1959).

Ao longo de todo o processo histórico das civilizações e até a primeira metade do século 20 acreditava-se que as atividades econômicas, tais como vinham sendo praticadas, trariam bonança e felicidade aos homens, por meio do desenvolvimento pleno.

Na Idade Média, o homem afastou-se e rompeu com a natureza. Com uma visão eminentemente antropocêntrica, sentiu-se acima desta, transformando a apropriação da terra na mola propulsora e predatória da civilização ocidental.

A revolução comercial dos séculos 15 ao 18 promoveu, com as navegações, a busca por metais preciosos e o extermínio das florestas no mundo recém-descoberto. E o desenvolvimento material trazido pela Revolução Industrial elevou-o ao valor supremo a ser alcançado.

Conceitos – No quesito – sobrevivência da espécie humana – a natureza, pensava-se, deveria ser dominada. Afinal, na floresta existiam feras ’selvagens’ que deveriam ser abatidas pelo ‘bom’ caçador, como na conhecida história do Chapeuzinho Vermelho. E não faz tanto tempo assim, a Amazônia era chamada de inferno verde (ouvi esse termo do meu professor de Geografia).

De uma forma simplista, esse era o alcance da visão de nossos antepassados que não lhes permitia a percepção do planeta como um todo como se vê hoje, após exatos 40 anos da ida do homem à Lua, em 20 de julho de 1969.

Colapso – No contexto de nossa evolução, a tomada de consciência sobre a vulnerabilidade do planeta aos riscos que a aventura humana lhe tem imposto é recente. Ela surge mais especificamente em meados do século 20, ao final dos anos 1960, com o relatório Limites do crescimento, quando foram discutidas pela primeira vez as condições do planeta e se imaginou a probabilidade de seu colapso.

Foi, entretanto, em 1972, na Conferência de Estocolmo, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorreram os grandes debates sobre o meio ambiente, quando se determinou a inserção da temática ambiental no Direito Internacional. É sempre bom lembrar que a representação brasileira naquele evento se colocou de forma antagônica aos temas abordados, tendo defendido a tese de que “as questões ambientais seriam secundárias nos países em desenvolvimento”.

Desenvolvimento sustentado – E em 1987 foi publicado o Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum), documento que cunhou o termo desenvolvimento sustentável. São várias as formas de se entender o conceito de desenvolvimento sustentável, mas há um termo que o sintetiza e o traduz para todas as línguas e eu o entendo como o DNA do conceito: intergeracional.

Pela primeira vez, a humanidade tem a consciência da finitude dos recursos naturais e se dá conta de que poderá não ter como se certificar e garantir o futuro das gerações vindouras.

Em 1992, na Conferência do Rio (Eco-92), o desenvolvimento sustentável era visto como um novo modelo a ser buscado conciliando-se proteção ao meio ambiente, justiça social e eficiência econômica.

Exploração – No Brasil, o uso predatório dos recursos naturais confunde-se com sua própria história, tendo sido sua apropriação, a principal característica do processo econômico – colonizador.

Os grandes ciclos, como o do comércio – leia-se pirataria – do pau-brasil, do açúcar e do ouro das Minas Gerais, da borracha, do café e da pecuária extensiva, mostraram a forma deplorável com que a natureza aqui foi tratada, desde que os europeus chegaram para conquistar e extrair da terra tudo o que pudessem.

A Coroa Portuguesa bem que tentou proibir o corte da madeira para a construção de seus navios, daí a expressão madeira de lei, até hoje utilizada. Prova disso é o Regimento do pau-brasil, de 1605, não respeitado desde aquela época.

Desmatamento – Mais recentemente, já nos anos 1970, durante o governo militar, houve a indução planejada do desmate da Amazônia sob o conceito ‘ocupar para não entregar’ por meio da construção de estradas, tais como a Transamazônica e outras políticas de ocupação consideradas estratégicas e de segurança nacional. Não é preciso entender de economia para perceber que o resultado final das atividades predatórias e desordenadas foi desastroso para o País e para as populações locais.

Infelizmente, e em pleno limiar do século 21, é espantoso que pouco ou quase nada tenha mudado na manutenção da fórmula de se exaurir de forma contínua e sistemática o que ainda resta da Amazônia e da Mata Atlântica, para citar dois exemplos conhecidos.

O estrago perpetrado em âmbito mundial e no Brasil, em particular, toma um vulto preocupante e um novo termo começa a se fazer ouvir por aqui: É a retirada sustentável. É o que pensa o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ex- presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia Prakki Satyamurty ao afirmar que o desenvolvimento sustentável já não é o caminho. Diz ele que ‘a saída agora seria a retirada sustentável’, ou seja, “a diminuição drástica do consumo dos recursos naturais, aliada a um controle de natalidade que levasse a um crescimento menos acelerado da população mundial”. Também defende que “o consumo de recursos naturais deve ser menor ou igual à reposição dessas riquezas ambientais na natureza” e “a exploração dos recursos naturais pela população mundial já ultrapassou a capacidade de oferta do meio ambiente em escala global”.

Questão fundiária – É nesse contexto e para desespero dos ambientalistas que o governo brasileiro pretende fazer a regularização fundiária na Amazônia Legal. Incentivado por seu ex-ministro Mangabeira Unger, da pasta Assuntos Estratégicos, o presidente Lula, de uma só canetada e a despeito de inúmeros apelos, sancionou, com alguns vetos, no último dia 25 de junho, lei que dá espaço para grileiros na Amazônia, por meio da famigerada MP 458/09, que, entre outras coisas, possibilita a transferência de terras públicas a quem esteja em sua posse, sem licitação.

Tal medida submete a região aos grupos econômicos tupiniquins, mantendo-a como exportadora de madeira, diversidade biológica, gás, petróleo e minérios e garante aos grupos internacionais a fonte natural desses produtos. A norma privilegia grileiros que se apropriaram de terras públicas no passado e valoriza os setores da pecuária e da soja, conhecidos vilões do desmatamento.

Há argumentos de que a MP 458 – agora a Lei n.º 11.952/09 – não está de acordo com vários artigos constitucionais, especificamente o art. 186, por ferir o princípio da função social da propriedade, e o 225, da Constituição Federal, cujo parágrafo 4º vale a pena transcrever:

Art. 225: “Todos têm direito ao ecologicamente meio ambiente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” ” 4º: A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais (grifo nosso).”

De acordo com o jornalista Carlos Tautz, ao referir-se “às chamadas externalidades desse modelo, o sistema de garantias ao capital na Amazônia segue operando”. Para ele, “seus excedentes garantirão a segurança energética a indústrias extensivas em energia, aços laminados, por exemplo. A produção inteira será exportada para os centros dinâmicos da economia mundial. O sistema de garantias se completa com a MP 458, que permite a qualquer agente econômico reivindicar uma fatia de até 1.500 ha dos 67 milhões de hectares de terras devolutas existentes na Amazônica, mesmo em terras griladas e desmatadas.”

Em vez de se preservar a biodiversidade existente na floresta em pé e esta ser finalmente percebida como o maior capital brasileiro mantém-se a tradição histórica por sua derrubada e exploração insustentável.

A sociedade brasileira não pode mais arcar com tamanho descalabro. Errar é humano. Insistir no erro histórico é imperdoável. Somente o compadrio agradece. Como sempre, o compadrio.

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Por – Rachel Feldmann, advogada especialista em Direito Ambiental pela PUC-PR, é consultora associada da Preserva Ambiental Consultoria.

DiárioNet

fonte: http://invertia.terra.com.br/sustentabilidade/interna/0,,OI3884363-EI11558,00-Erro+imperdoavel.html

Pesquisa e Divulgação: FPN-SP-BR

Ser humano X Ser humano

Enfrentar os impactos das mudanças climáticas, com medidas de adaptação e mitigação das emissões de gases de efeito estufa, exigirá esforços em todos os setores: a academia precisará de um enfoque mais multidisciplinar, o governo deverá se sensibilizar para a urgência do tema e a sociedade terá que compreender a necessidade de uma profunda mudança cultural.

Esses desafios foram debatidos nesta terça-feira (21/7) por cientistas e formuladores de políticas públicas no Painel Internacional de Especialistas em Megacidades, Vulnerabilidade e Mudança Climática Global, na sede da FAPESP, em São Paulo.

O evento, liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tem o objetivo de traçar um mapa das vulnerabilidades das regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro frente aos efeitos do aquecimento global, com o objetivo de subsidiar políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas.

Segundo o coordenador do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais, Fábio Feldman, a criação dos fóruns estaduais, em 2005, foi um avanço que permitiu aos estados uma maior articulação com as políticas municipais e federais. Ainda assim, prevalecem as dificuldades históricas na implantação de políticas nacionais relacionadas ao clima.

“Há dificuldades dos governantes para compreender que o clima é um tema para hoje, não para daqui a 20 anos. No Ministério da Ciência e Tecnologia, por exemplo, a estrutura para trabalhar nesse tema é muito pequena, mantendo o mesmo número de pessoas há mais de 15 anos”, disse.

Segundo ele, as principais propostas dos fóruns têm foco na elaboração de marcos regulatórios relacionados às mudanças climáticas em todos os níveis de governo. “Em São Paulo elaboramos uma política para criar um processo – ou seja, incluir na agenda governamental a obrigatoriedade de inventários e mapas de vulnerabilidades. Acreditamos que isso vá mobilizar a sociedade brasileira para um avanço concreto”, explicou.

Feldman declarou que há grandes dificuldades políticas para o estabelecimento de metas de emissões de gases de efeito estufa. “O problema é que as metas são entendidas como punição e não como oportunidade de inovação tecnológica”, afirmou.

Outra dificuldade importante no Brasil, segundo Feldman, é articular as políticas públicas de clima com políticas setoriais como as de transportes e saúde. Um exemplo disso, segundo ele, é a redução dramática do imposto sobre produtos industrializados (IPI) concedida pelo governo brasileiro, por causa da crise financeira.

“Com essa redução do IPI teremos uma imensa frota renovada de caminhões. Mas perdemos a oportunidade de articular essa iniciativa com as políticas climáticas, já que essa renovação será feita com uma tecnologia atrasada do ponto de vista do padrão de emissões. O padrão do diesel comercializado no Brasil é muito ruim, comparável apenas a alguns países da África”, declarou.

Segundo Feldman, a legislação não conseguirá, por si só, implantar as políticas de adaptação e mitigação. “Os dois avanços em políticas ambientais mais importantes que surgiram nos últimos anos foram o indicador de sustentabilidade ambiental da Bovespa e a decisão das redes de supermercados de só comprar carne com rastreabilidade, para evitar os produtos que devastem a Amazônia. Esses dois avanços não envolveram legislação”, disse.

Mudança cultural

O presidente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Fernando Rei, afirmou que propor medidas de adaptação e mitigação implica uma mudança cultural que, muitas vezes, é rechaçada pela sociedade.

“Muita gente acha que vai haver alguma revolução tecnológica que nos permitirá manter os atuais níveis de consumo. Há uma grande dificuldade da academia e dos órgãos ambientais para se confrontar com esse tipo de contrapropaganda”, disse Rei.

Para Rei, a resistência à mudança de hábitos por parte dos cidadãos indica que há uma tendência de transferir as responsabilidades ao poder público. “Embora a Constituição Cidadã já tenha completado 21 anos, seguimos construindo um projeto de nação no qual o cidadão tem muito poucos deveres. A Carta Magna, no entanto, destaca o compromisso da coletividade e do poder público na preservação da qualidade ambiental”, declarou.

Segundo Rei, é preciso também que a academia trate o problema do clima de forma mais multidisciplinar. “Nosso processo de ensino encaminha os alunos para um universo de certezas. Não geramos na academia alunos que trabalhem com dúvidas. A burocracia acadêmica dificulta a construção de um olhar científico multidisciplinar. No entanto, o tema da mudança climática é essencialmente multidisciplinar e, por isso, será preciso repensar a forma de se produzir conhecimento”, disse.

Rei afirmou que, em sua avaliação, as principais vulnerabilidades na Região Metropolitana de São Paulo dizem respeito à questão da saúde – com novos vetores de epidemias e qualidade da saúde pública – e ocupações em áreas sensíveis, especialmente em torno de mananciais.

“Para combater a ameaça que essas vulnerabilidades representam com a possível ocorrência de eventos extremos, será preciso discutir as políticas públicas. Mas temos perdido a oportunidade de fazer isso porque o mercado e a sociedade estão ainda muito ausentes do debate. Essa não pode ser uma discussão exclusiva da academia e do poder público”, declarou.

Pesquisa e divulgação: FPN-SP-BR

Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/10800/especiais/transformacoes-necessarias.htm

O Congresso e o desenvolvimento sustentável

Por Antonio Herman Benjamin
Fonte: Jornal do Brasil
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MINISTRO DO STJ

Virou lugar comum dizer que a “questão ambiental” está na ordem do dia no Brasil. Realmente, não há semana sem que os principais meios de comunicação brasileiros noticiem, com destaque, o desmatamento na Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado; a contaminação dos rios e mananciais de abastecimento público; o avanço da especulação imobiliária sobre ecossistemas frágeis; o aumento do número de espécies ameaçadas de extinção; a poluição do ar nas grandes cidades; a falta ou precariedade de saneamento; a ausência do Estado nos amplos espaços ainda conservados.

Mas não é só. Nossas negociações internacionais, inclusive as comerciais, começam a esbarrar na desconfiança com que, cada vez mais, nossos parceiros veem a matriz industrial e agrária daquilo que exportamos. Os mercados externos, com relação às nossas commodities, sobretudo soja, carne e álcool, estão cada vez mais ambientalmente exigentes, algo que, com muita propriedade, vem sendo apontado em sucessivos pronunciamentos pelo Presidente Lula da Silva.

Essa, então, uma oportunidade de ouro a ser aproveitada pelo Congresso Nacional para apresentar ao Brasil sua visão de desenvolvimento ecologicamente sustentável. De florestas a mudanças climáticas, de resíduos sólidos à água, de proteção do solo à desertificação, de licenciamento ambiental à melhoria do sistema de implementação, há um admirável mundo novo, por assim dizer, aberto à criatividade e inovação parlamentar.

Aos críticos (e hoje são muitos) da passividade ou do frágil poder de iniciativa da Câmara e do Senado sobre o tema, basta lembrar que a moderna legislação ambiental que temos não surgiu do nada. É, antes, decorrência do esforço de toda uma geração de dedicados parlamentares. Os brasileiros de hoje e de amanhã lhes devem o presente mais sustentável que hoje temos e o amanhã menos ambientalmente incerto que nos aguarda. Souberam eles compreender a razão do seu tempo e administrar a complexidade de sua missão.

No Congresso de hoje, no entanto, os grandes temas ambientais estão paralisados pelo acirramento de posições. A impressão que se tem é que os debates de conteúdo foram sacrificados no altar da intransigência, de parte a parte. Desapareceu o interesse em ouvir o outro, bem como a predisposição ao compromisso, principal marca da atividade parlamentar. Pior, vários projetos de lei não visam a aperfeiçoar e dar maior efetividade à legislação ambiental; ao contrário, buscam exatamente enfraquecê-la, descaracterizá-la ou dificultar as exigências para seu cumprimento.

Na ausência de um mínimo de espaço comum de diálogo e negociação, sobram escaramuças legislativas, como a inclusão, na Medida Provisória 452, relativa à outra matéria (Fundo Soberano do Brasil), de dispositivo que, na prática, ameaçava a seriedade de todo o sistema de licenciamento ambiental de rodovias. Ou ainda a profunda modificação da Medida Provisória 458, que trata da regularização fundiária da Amazônia, cujo texto, em direta violação do princípio constitucional da igualdade, estabelece prazos diferenciados para que os novos proprietários possam vender suas terras: se for pequeno, prazo três vezes maior que o exigido do grande! Ou, nessa mesma MP, o artigo que permite, em interpretação a contrario sensu, que juízes, promotores, delegados de polícia e policiais militares, todos eles remunerados para fiscalizar as leis, possam legalizar terras públicas que ocuparam ilegalmente. Se o fizerem, porém, sendo funcionários públicos, estarão praticando graves faltas disciplinares, quando não crime. Uma afronta ao princípio da moralidade administrativa, tão valorizado pela Constituição de 1988.

Nenhuma outra lei, contudo, padece das incertezas enfrentadas pelo Código Florestal de 1965, que foi modificado em profundidade pela chamada Medida Provisória Sarney Filho – editada no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, e ainda não convertida em lei, emperrada que está há anos no Congresso. Resultado: o país detentor da maior área de florestas tropicais do planeta é o único que as protege por meio de uma lei que é provisória! Essa situação de não saber como será o amanhã da legislação afeta a segurança jurídica, tanto dos aplicadores da lei (como nós juízes), como da esmagadora maioria dos produtores rurais que querem produzir respeitando o meio ambiente.

No campo ambiental, o Congresso poderá, a um só tempo, avançar no que melhor sabe fazer – editar leis – e colocar o Brasil de vez na rota do desenvolvimento ecologicamente sustentável. Em todos os partidos, não faltam parlamentares que têm clareza dessa missão e sensibilidade para a sua relevância no nosso relacionamento com o resto do mundo. A eles caberá, em favor das Casas que integram, mas sobretudo do povo que representam, apresentar uma moderna e séria Agenda Ambiental Legislativa para as próximas décadas. Ganharemos todos.

Pesquisa e Divulgação: FPN-SP-BR

Pesquisador defende aproveitamento de áreas degradadas e de várzea na Amazônia …

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

É preciso proibir ações de exploração agrícola que promovam desmatamento e substituição da vegetação original por lavouras de ciclo curto ou pastagem na Amazônia. Sem isso, áreas extensas da região podem chegar, em alguns anos, a um estágio de devastação irreversível. O argumento foi apresentado nessa quarta-feira (15) pelo agrônomo e professor do Departamento de Humanidades da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Amílcar Baiardi, em Manaus, durante a 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Para ele, as terras firmes de florestas densas devem ser o foco de maior preocupação. “São áreas em que, no máximo, pode ocorrer um aproveitamento restrito e limitado, com sistemas agroflorestais envolvendo lavouras de ciclo longo, preferencialmente. Dessa forma, é possível expandir a produção de alimentos na Amazônia sem prejuízo à floresta, não só pensando na segurança alimentar, mas também em negócios que viabilizem emprego, renda e interesses de empreendedores”, destacou o cientista.

Em entrevista à Agência Brasil, Baiardi explicou que limitar de forma mais intensiva as ações de desmatamento na Amazônia não significa impor o fim da prática da agricultura na região. Ele defendeu o uso de técnicas que garantam a utilização do território de forma menos agressiva e, ainda, o incentivo a métodos que permitam melhor aproveitamento das áreas de várzeas e daquelas já degradadas. O pesquisador reconhece que o agronegócio é uma das atividades econômicas mais importantes do país, responsável, segundo ele, por 4% do Produto Interno Bruto do país (PIB).

Desde a década de 70, o agrônomo realiza pesquisas sobre a economia rural da Amazônia. Após quase quatro décadas de estudo, ele concluiu que o desenvolvimento do agronegócio na região não pode estar em conflito com a preservação da floresta e do sistema hidrológico. Segundo o pesquisador, a Amazônia detém pelo menos 8 milhões de hectares de áreas de várzea que poderiam ser mais bem aproveitadas, inclusive, pelo agronegócio que, na avaliação dele, atualmente está em desacordo com a racionalidade ambiental.

“Hoje o que se faz na Amazônia em agronegócio é bastante criticável. O que se pode fazer é desestimular o que já existe e criar alternativas melhores de agronegócio. Claro que a Amazônia não pode ficar eternamente dependente da produção de alimentos de outras regiões do país, mas tudo deve ser pensado para ocorrer de forma sustentável. Atualmente, o agronegócio praticado na região está se expandindo numa área em que não deveria se expandir, que é a área de terra firme”, acrescentou.

Levantamento feito pelo pesquisador revela que pelo menos seis modelos de agronegócio são passíveis de serem implementados na Amazônia sem comprometer a floresta. Entre eles estão extrativismos coletivos, com o uso de técnicas de manejo sustentável, de plantas que podem ser utilizadas em medicamentos ou cosméticos, por exemplo. Outra atividade rentável e alternativa ao agronegócio seria a prestação de serviços florestais. “Mas tudo isso deve ser feito com embasamento científico e tecnológico”, ressalva.

“Embora possível no ambiente amazônico, o agronegócio deve estar sempre condicionado a normas de sustentabilidade dos biomas e ecossistemas regionais. A várzea pode desempenhar um papel extraordinário, tanto na parte de produção vegetal quanto na parte de produção animal. Numa abordagem racional, com conhecimentos de engenharia hidráulica, pode-se viabilizar um aproveitamento mais sistemático e permanente dessas áreas, que podem ser utilizadas em ciclos curtos como no caso de grãos e também na produção de fibras”, exemplificou o docente da UFRB.

Fonte: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/07/16/materia.2009-07-16.9959292886/view
Divulgação e pesquisa: FPN-SP-BR

Brasil lança iniciativa por quebra de patente para energias limpas

MARCELO NINIO
da Folha de S.Paulo, em Genebra

O Brasil insiste: o tratado sobre mudanças climáticas que será negociado na Conferência de Copenhague, em dezembro, terá que incluir uma cláusula sobre o compartilhamento de tecnologias “verdes”.
A proposta bate de frente com a ambição de países ricos de colocar toda a ênfase na ideia de “transferência” de tecnologia. Isso, para o Brasil e outros emergentes, nada mais é que perpetuar o monopólio sobre o conhecimento e gerar lucros para o mundo desenvolvido, desvirtuando o objetivo de preservar o ambiente.
“Quem acredita em transferência de tecnologia acredita também em Papai Noel e coelhinho da Páscoa”, ironizou Haroldo Machado Filho, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Ele reiterou a posição do Brasil durante uma conferência da Organização Mundial de Propriedade Intelectual.
Divulgação

Usina eólica da Taíba, litoral norte do Ceará; em conferência, Brasil lança iniciativa por quebra de patente para energias limpas
Com o apoio do G77 (grupo de países em desenvolvimento), a proposta brasileira é reproduzir um princípio já aplicado na saúde, pelo qual a quebra de patentes é permitida em casos de interesse público.
“Uma negociação justa sobre a transferência de tecnologia é fundamental para selar um acordo em Copenhague”, disse Machado na abertura da conferência, em Genebra.
Ele admite, porém, que não será fácil estabelecer os critérios para quebra de patentes, que tocam em conceitos muitas vezes vagos, como situações de emergência. Por ora, diz Machado, é mais sensato tentar incluir o princípio no acordo, para depois negociar os detalhes.
“Todo mundo reconhece a necessidade de transferência de tecnologia, existe um consenso em torno disso”, explica Machado, que é membro da Comissão Interministerial de Mudança do Clima. “A questão está nos mecanismos.”
A proposta brasileira de um sistema de patentes flexível para tecnologias verdes não é nova. Ela vem sendo defendida pelo ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) desde a Conferência do clima da ONU em Bali, em 2007. Mas o debate promete esquentar à medida em que o encontro de Copenhague se aproxima.
Para o ministro para Propriedade Intelectual britânico, David Lammy, é errado reduzir a discussão às patentes. “Precisamos tirar esse assunto dos advogados e devolver às pessoas”, disse ele durante a conferência da Ompi. “O importante é permitir acesso ao conhecimento.”
Questionado pela Folha, ele se negou a dizer em quais circunstâncias seu país aceitaria a quebra de patentes. Um assessor respondeu que não abriria as posições antes da negociações. Para Lammy, é essencial estabelecer “um clima de confiança” antes dos debates.
Por enquanto, o que predomina é o ceticismo. Sobre a proposta de o governo britânico de criar um fundo ambiental de US$ 100 bilhões, Machado transmite incredulidade. E cita como exemplo de promessa nunca cumprida a meta de destinar 0,7% do PIB dos países industrializados para o mesmo fim, feita em 1992. “Números se lançam, como sempre se lançaram”, disse ele. “A questão é o que acontece efetivamente.”

Soluções para geração de eletricidade

Em meio à crise energética brasileira, cresce a busca por soluções rápidas que revigorem os atuais meios de geração de eletricidade e eliminem a possibilidade de apagões. Soluções rápidas e mágicas, porém, não existem. Existem, sim, soluções elaboradas depois de anos de estudo, como um trabalho do professor Secundino Soares Filho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Junto com sua equipe, ele desenvolveu dois softwares que podem melhorar em 5% o rendimento energético das usinas hidrelétricas, fonte de 92% da eletricidade do país.

Outra possibilidade de aumentar os tão necessários megawatts está em auferir melhor aproveitamento da extração de energia elétrica do bagaço e da palha da cana-de-açúcar. Também fora dos tradicionais sistemas de geração de energia elétrica, uma nova tecnologia deve, nos próximos anos, ganhar espaço em residências, hospitais e pequenas indústrias. São as células a combustível, equipamentos que funcionam com hidrogênio puro ou extraído do gás natural. Outra boa notícia são dois novos produtos desenvolvidos na Unicamp e na Universidade de São Paulo (USP) que devem baratear a produção de equipamentos de sistemas de energia solar.

As soluções têm por base um olhar estratégico, ainda que algumas possam ser usadas a curto prazo. Elas envolvem pesquisadores de instituições de pesquisa e de empresas, muito estudo, planejamento e inovação tecnológica.

Aumento já – Há mais de dez anos, o aproveitamento das hidrelétricas é tema de estudo no Laboratório de Sistemas Hidrotérmicos de Potência da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação. Lá o professor Secundino Soares Filho já gerou dois programas de computador capazes de proporcionar – sem novas obras e grandes investimentos – um aumento de 5% na produção nacional de energia elétrica, o que corresponde a 2.250 megawatts (MW) de potência. Esse número equivale à produção média de oito hidrelétricas instaladas no Rio Paranapanema, divisa dos Estados de São Paulo e Paraná, e corresponde à quantidade de energia que o plano de racionamento almeja ser economizada pelos consumidores residenciais.

“Se essas novas tecnologias, que melhoram o rendimento das turbinas das usinas e otimizam o gerenciamento da água estocada nos reservatórios, fossem implantadas pelo conjunto das hidrelétricas brasileiras, o racionamento seria bem mais suave”, afirma o professor da Unicamp. Ele constata de houve insuficiência de investimentos na capacidade de geração do sistema nos últimos anos. Tanto assim que, enquanto a demanda de energia do país cresceu 5 mil MW por ano, a oferta de geração aumentou apenas 3 mil MW.

Gerenciamento cuidadoso – Há algum tempo o professor Soares Filho alerta para o risco de racionamento. Em matéria publicada na edição nº 41 de Notícias Fapesp, de abril de 1999, ele foi categórico: “O gerenciamento mais cuidadoso dos reservatórios contribuiria para reduzir os riscos de racionamento de energia, previsto para os próximos anos, se os investimentos no setor continuarem a ser postergados”. (…)

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Pesquisa/Divulgação: FPN-SP-BR

“Hidrogênio a laser “

Um grupo de pesquisadores italianos acaba de demonstrar o uso de lasers para produzir hidrogênio a partir de água sob alta pressão. Segundo os autores, o processo tem potencial para a produção de hidrogênio que pode ser usado como combustível.

O estudo será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Roberto Bini, do Laboratório Europeu de Espectroscopia Não-linear, em Florença, e colegas estudaram misturas gasosas e usaram espectroscopia – método para análise de substâncias baseado na interpretação de seus espectros de emissão ou absorção de radiações eletromagnéticas – para identificar as moléculas resultantes do uso do laser.

Sozinhos, tanto o monóxido de carbono como o nitrogênio são virtualmente inertes. Mas a adição de água, seguida por irradiação sob pressão de 1.000 atmosferas, resulta na produção de hidrogênio gasoso e de outras moléculas.

De acordo com os autores do estudo, os lasers quebraram a água em hidrogênio e radicais hidroxila (presentes nas bases ou hidróxidos) e esses radicais livres catalisaram outras reações.

“Radicais hidroxila, produzidos pela fotodissociação de moléculas de água por radiação próximo à ultravioleta, em temperatura ambiente e pressões de alguns décimos de 1 gigapascal, podem ser usados com sucesso para promover reações químicas em misturas de água com monóxido de carbono ou hidrogênio”, descreveram.

A água, por si só, também não se dissocia em hidrogênio e oxigênio, provavelmente porque os radicais se recombinam muito rapidamente. Com a fotoativação das reações por meio dos lasers, as condições de pressão exigidas não são mais tão altas a ponto de serem inviáveis.

“A detecção de hidrogênio molecular entre os produtos da reação é de particular relevância. Além das implicações em química fundamental, as condições de leve pressão e irradiação, a eficiência do processo e a natureza dos reagentes e das moléculas produzidas sugerem aplicações em síntese”, apontaram.

Os autores destacam que a irradiação pressurizada em reatores de grande volume poderá ser usada para processos químicos sustentáveis, entre os quais a geração de hidrogênio para uso como combustível.

O artigo High pressure photodissociation of water: a tool for hydrogen synthesis and fundamental chemistry, de Roberto Bini e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.

Pesquisa: FPN-SP-BR
Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/10739/divulgacao-cientifica/hidrogenio-a-laser.htm

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