Em meio à crise energética brasileira, cresce a busca por soluções rápidas que revigorem os atuais meios de geração de eletricidade e eliminem a possibilidade de apagões. Soluções rápidas e mágicas, porém, não existem. Existem, sim, soluções elaboradas depois de anos de estudo, como um trabalho do professor Secundino Soares Filho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Junto com sua equipe, ele desenvolveu dois softwares que podem melhorar em 5% o rendimento energético das usinas hidrelétricas, fonte de 92% da eletricidade do país.
Outra possibilidade de aumentar os tão necessários megawatts está em auferir melhor aproveitamento da extração de energia elétrica do bagaço e da palha da cana-de-açúcar. Também fora dos tradicionais sistemas de geração de energia elétrica, uma nova tecnologia deve, nos próximos anos, ganhar espaço em residências, hospitais e pequenas indústrias. São as células a combustível, equipamentos que funcionam com hidrogênio puro ou extraído do gás natural. Outra boa notícia são dois novos produtos desenvolvidos na Unicamp e na Universidade de São Paulo (USP) que devem baratear a produção de equipamentos de sistemas de energia solar.
As soluções têm por base um olhar estratégico, ainda que algumas possam ser usadas a curto prazo. Elas envolvem pesquisadores de instituições de pesquisa e de empresas, muito estudo, planejamento e inovação tecnológica.
Aumento já – Há mais de dez anos, o aproveitamento das hidrelétricas é tema de estudo no Laboratório de Sistemas Hidrotérmicos de Potência da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação. Lá o professor Secundino Soares Filho já gerou dois programas de computador capazes de proporcionar – sem novas obras e grandes investimentos – um aumento de 5% na produção nacional de energia elétrica, o que corresponde a 2.250 megawatts (MW) de potência. Esse número equivale à produção média de oito hidrelétricas instaladas no Rio Paranapanema, divisa dos Estados de São Paulo e Paraná, e corresponde à quantidade de energia que o plano de racionamento almeja ser economizada pelos consumidores residenciais.
“Se essas novas tecnologias, que melhoram o rendimento das turbinas das usinas e otimizam o gerenciamento da água estocada nos reservatórios, fossem implantadas pelo conjunto das hidrelétricas brasileiras, o racionamento seria bem mais suave”, afirma o professor da Unicamp. Ele constata de houve insuficiência de investimentos na capacidade de geração do sistema nos últimos anos. Tanto assim que, enquanto a demanda de energia do país cresceu 5 mil MW por ano, a oferta de geração aumentou apenas 3 mil MW.
Gerenciamento cuidadoso – Há algum tempo o professor Soares Filho alerta para o risco de racionamento. Em matéria publicada na edição nº 41 de Notícias Fapesp, de abril de 1999, ele foi categórico: “O gerenciamento mais cuidadoso dos reservatórios contribuiria para reduzir os riscos de racionamento de energia, previsto para os próximos anos, se os investimentos no setor continuarem a ser postergados”. (…)
Pesquisa/Divulgação: FPN-SP-BR